Manoel Lima: Injustiça ou parte do jogo?

Manoel Lima

Gimacon 300x250Vivendo a expectativa de uma decisão da Justiça Eleitoral que poderá legitimar o seu mandato de vereador, o comerciante Manoel Lima, apontou o deputado estadual Euclides Fernandes (PDT), como mentor do processo que o retirou da disputa por uma das vagas para a Câmara Municipal de Jequié, ao assumir o controle do PR às vésperas da eleição.
“Sofri um golpe. Esta é a verdade”, sentenciou Lima.
A constatação foi feita na última sexta feira, 23, durante entrevista que concedeu ao programa Tribuna Livre, da rádio Cidade FM (104,9).
Manoel era apontado como o puxador de votos do PR na eleição para a Câmara Municipal, e mesmo sendo o terceiro candidato mais votado, com cerca de 2 mil votos, não assumiu o mandato.
Aos fatos: Às vésperas da Convenção Municipal que definiria os candidatos do PR, o presidente estadual do partido trocou a direção municipal, afastando o nome ligado ao dep. Antônio Brito e nomeando um outro, ligado ao dep. Estadual Euclides Fernandes.
Uma outra, aliás: Yanka Nascimento.
Com a mudança, Manoel teve o seu nome retirado da chapa apresentada pela nova direção, só obtendo o direito de disputar a eleição graças ao registro como candidato individual.
Manoel Lima lembra o dia em foi convocado por Euclides para uma reunião, no escritório de Jequié.
Já era público que o partido estava sob controle do parlamentar.
“Lá chegando, ao me ver, Euclides disse: Pela segunda, você está em minhas mãos”, ao que Manoel retrucou: “Primeiro nas mãos de Deus, depois, na sua”, respondeu Manoel, resignado.
Até chegar ao escritório de Euclides, ele tinha a expectativa de que mesmo mudando a direção do partido, seu nome seria referendado e sua candidatura sacramentada.
Mas as coisas não saíram como ele imaginava.
Ele conta. Diz que a Convenção havia sido convocada para o plenário da Câmara Municipal, mas mudou de local e de tamanho.
O que era para ser um encontro festivo, com muita gente e a animação habitual, tornou-se reservado, com poucas pessoas.
O local escolhido foi o gabinete do então presidente, Fiim. Na ocasião, os nomes dos candidatos foram revelados.
O de Manoel estava fora.
“Perguntei a Euclides o que havia acontecido. Ele disse que eu estava fora, não teria a legenda ”, lembra Manoel.
Rejeitado pelos novos aliados, Manoel diz que foi à luta, arregaçou as mangas e passou a trabalhar com maior dedicação.
Quando os votos foram apurados, a população expressou o seu reconhecimento ao trabalho que realiza e o brindou com quase 2 mil votos, transformando-o no terceiro candidato mais votado da eleição para a Câmara Municipal.
Políticos locais ouvidos pela reportagem admitem que o processo tinha por finalidade favorecer candidatos do PSL à Câmara.
“Ao retirar Manoel Lima e Dr. Ricardo da disputa e empurrar o PR para uma coligação com o PT, PC do B, e PSL, o que se pretendeu foi favorecer alguns candidatos e tirar outros do caminho”, avalia um observador da política local.
Depois de idas e vindas entre juízes da comarca de Jequié, o mandato de segurança que pode anular a Convenção está a depender de uma decisão do juiz Carlos Alberto Fiusa de Castro, o mesmo que remeteu o mandato ao STJ por entender não ser de sua competência a decisão. Antes, o juiz terá que receber a manifestação do Ministério Público Eleitoral.
Procurado pela produção do programa Tribuna da Imprensa, o deputado Euclides Fernandes não respondeu ao nosso pedido de manifestação.

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