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Final das atividades em homenagem a Waly Salomão no Museu Histórico de Jequié

Desde o início de setembro, a exposição multimídia “Waly aqui – aLgArAvIAs / Janela de Marinetti” tem recebido grande número de visitantes para conhecer um pouco da vida e da obra do poeta jequieense que rompeu todas as linhas de fronteiras possíveis através da sua arte. Mais de três mil pessoas visitaram o museu neste período. Crianças, jovens estudantes, grupos da terceira idade, famílias inteiras tiveram a oportunidade de se encantar com “Waly aqui” em Jequié. Apresentações musicais, cênicas, saraus, lançamento de livro, distribuição de livretos, recital, exibição de vídeos somaram-se às visitações guiadas e discussões acadêmicas promovidas para dar sentido ao caráter afetivo, artístico, histórico e didático da homenagem.
Ao me ser confiada essa curadoria, iniciativa da Prefeitura Municipal de Jequié, através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, em parceria com a Academia de Letras de Jequié, a sensação de honra e desafio pularam no meu peito juntamente com duas preocupações primordiais: “A família ficaria feliz com a homenagem?”; “Os jovens atenderiam ao chamamento e compreenderiam a proposta?”. Bom, todo o carinho e gentileza dos familiares de Waly com a nossa equipe, chegando a nos presentear flores como símbolo de agradecimento, e o brilho nos olhos atentos dos mais novos ao final de cada visita demonstrando orgulho ao se entenderem conterrâneos do poeta dos cristais clivados, silenciaram nossos receios.
Vale ressaltar que meus trabalhos neste sentido não começaram agora: Em 2002, um ano antes da partida do “Marujeiro da Lua”, duas páginas do meu jornal Correio do Interior foram dedicadas às três décadas de produção cultural desse timoneiro artístico do nosso país. Um ano depois, coordenando o projeto “Feira da Poesia”, durante as atividades da reabertura da Casa da Cultura Pacífico Ribeiro, colocamos mais uma vez a vida e a obra de Waly no centro das discussões. Infelizmente, ele nos deixaria subitamente sem tomar conhecimento desse trabalho. Ao longo dos anos, com alguns parceiros, dedicamos artigos de jornal e revista, poemas, programas de rádio, vídeo-documentário… até a chegada desta oportunidade grandiosa: um mês de exposição e atividades didáticas com o objetivo de Jequié finalmente deixar de prescindir de Waly, como ele próprio em vida reclamava.
Temos consciência de que a completude de Waly não se abarca em um mês de homenagens, nem em uma infinidade de realizações com este intento. Sejam por vias de pesquisadores, especialistas, acadêmicos, de gestores culturais, de supostos proprietários da vida e obra do poeta, ou simplesmente por conta de sinceros amadores entusiastas das causas artístico-culturais, “Waly não se resume”.
Por isso, caro leitor, se digo que essa é a reta final das homenagens, desconsidere. Esse é o ponto de partida. O desdobramento de tudo que foi feito neste período e o aprofundamento desta provocação institucional ficam agora por conta das escolas, faculdades e de cada um que entendeu e abraçou nossa proposta.
Aos críticos de homenagens póstumas, só nos resta dizer que é bem melhor erguermos monumentos aos poetas a cultuarmos a tirania e os corruptos.
Devo confessar algo mais: inspirados pelo espírito libertário de Waly, acabamos por subverter a legislação que só permite ao poder público dedicar tal prática a pessoas mortas. Pois, depois de ver tanta gente falando, ouvindo, lendo, escrevendo e discutindo Waly Salomão na sua Heliópolis, Baalbek da sua infância desterrada, não tenho dúvidas que ele esteja mais vivo do que nunca. E não se surpreendam se o avistarem por aí passeando de Marinetti, algaraviando pelo universo.

Júlio Lucas
Poeta, Curador da exposição “Waly Aqui”, presidente da ALJ

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