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Audiência Pública debate situação dos bancos públicos

A Assembleia Legislativa da Bahia foi palco de uma importante audiência pública na manhã de hoje, 09 de outubro, para discutir os impactos da reestruturação dos bancos públicos na economia baiana. A audiência pública foi organizada pela Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (FEEB) e o Sindicato dos Bancários da Bahia (SEEB-BA), com o apoio do deputado estadual Jean Fabrício (PCdoB).

Em sua exposição, Jair Ferreira, representante da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), destacou a importância dos bancos públicos para a sociedade brasileira por terem o papel de indutores do desenvolvimento econômico nacional; de investimento em períodos de crise econômica; de regulação do mercado financeiro; de geração de empregos diretos e indiretos; de operadores de políticas públicas de forma mais eficiente e barata; e de administradores dos fundos constitucionais. Sobre a situação dos bancos na Bahia, afirmou que dos 417 municípios do estado, 268 têm bancos públicos; e das 1039 agências bancárias existentes, 576 são de instituições públicas (55%). Além disso, 80,66% das operações de crédito na Bahia são destas instituições.

Fábio Ledo, da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, reforçou o papel importante destes bancos em várias políticas públicas e sociais, como os contratos do FIES e no financiamento da agricultura familiar. No estado, informou que, após a política de desmonte do Governo Temer, houve uma diminuição de funcionários na Bahia e 45 agências foram atingidas, com 12 fechadas e 33 se transformaram em postos de atendimento.

Jeane Pereira, da Associação dos Funcionários do Banco do Nordeste (AFBNB), lembrou a importância do BNB para o desenvolvimento de uma região carente como o Nordeste, financiando não só a agricultura familiar como a agroindústria. Denunciou que está em andamento um processo de sucateamento das agências bancárias, com diminuição dos funcionários e fechamento de algumas unidades.

De acordo com Augusto Vasconcelos, presidente do Sindicato doa Bancários da Bahia, o desmonte destes bancos é “um ataque ao desenvolvimento do país”, pois interfere em várias políticas públicas: “É importante que nesta audiência fique claro que o principal ataque é contra a população brasileira, contra as políticas públicas”, afirmou. Demonstrou que há uma diminuição do emprego bancário na Bahia e que a região Nordeste tem sido a mais prejudicada com este processo. “Nossa luta vai precisar ampliar. Precisamos ganhar a sociedade. Estamos numa luta para defender os interesses da maioria da população brasileira, pois depende da atuação dos bancos públicos”, conclamou.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Jequié e Região, Marcel Cardim, disse que é significativo podermos alertar as pessoas sobre a importância de não privatizar os bancos públicos. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica, Banco do Nordeste e o BNDES são exemplos, até hoje, de como ajudar um país a sair da crise. Se não houver banco público, haverá dificuldades. Não podemos permitir esse retrocesso”, pontuou.

Para o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB), “os bancos públicos tiveram em outros momentos ameaças, mas este parece ser mais grave, pois acontece dentro de um contexto de ataque à soberania do país e às políticas públicas”. O parlamentar acredita que é necessário confiar na capacidade de luta e resistência do nosso povo, pois não há ninguém que nunca teve contato com um banco público. “Vivemos um momento de apatia, de descrédito, de descrença, mas precisamos superar isto. É um processo autoritário que não tem preocupação em prestar contas, não leva em conta a reação popular”, avaliou. Daniel sugere que outras audiências públicas devem ser realizadas nas assembleias legislativas, câmaras de vereadores e no Congresso Nacional, buscando envolver parceiros que são vítimas das políticas do Governo Temer, como os empresários. “Não podemos perder a esperança!”, encorajou.

Celso Argolo, coordenador Regional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), fez denúncias em relação aos processos de reestruturação dos bancos. “Os trabalhadores e trabalhadoras estão adoecendo por conta dessas reestruturações em razão das demissões e desligamentos incentivados, a sobrecarga de trabalho sobre os funcionários que permaneceram nos postos de trabalho. Além do mais, ao apresentar atestado médico, os trabalhadores e trabalhadoras estão sendo questionados. O banco está descredenciando os médicos que estão afastando os trabalhadores e trabalhadoras doentes”, denunciou.

Ao final do encontro, Emanoel Souza, presidente da Federação, defendeu a necessidade de unir forças de todas as tendências, sem preconceito, para defender os bancos públicos: “A defesa dos bancos públicos é a defesa do Estado brasileiro contra o ataque do liberalismo mais feroz. Não podemos ter preconceito”, alertou.

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