Estudante acusa Supermercado Jambo de racismo. Jambo emite nota

Um fato que ganhou muita repercussão na cidade de Jequié esta semana foi a acusação de racismo de uma estudante da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), junto ao supermercado Jambo que fica localizado no Jequiezinho. O caso foi vinculado nas redes sociais e o Supermercado Jambo emitiu uma nota de esclarecimento (Veja abaixo), em sua página no Facebook liberando comentários de vários seguidores.

A nota da estudante de pré nome Letícia contou o ocorrido. “

Leiam o desabafo de Letícia, uma estudante da UESB – Jequié BA, 9/08

Hoje foi o pior dia da minha vida. Enquanto eu vinha pra casa, morrendo de chorar, pensei e decidi que não iria falar sobre isso em redes sociais, mas depois eu pensei: vou mesmo me calar? Isso é cruel comigo e com os meus, não podemos ficar quietas. Hoje (9) eu, duas amigas e 1 amigos (uma amiga branca e o restante, contando comigo, negros) fomos ao supermercado Jambo, íamos comprar leite condensado para fazer brigadeiro pra vender. Antes da gente entrar, a amiga branca falou “me dá sua mochila, fulano. certamente irão te parar”, daí a companheira dessa amiga disse “não, vamos ver no que vai dar”. A amiga branca entrou no mercado com sua mochila tranquilamente, quando nós três entramos fomos abordados com o pedido para que a gente guardasse as nossas mochilas. De primeira, sacamos qual era que estava acontecendo: tava ali um caso explícito de racismo. Questionamos o homem (que se identificou enquanto dono do estabelecimento) o pq da abordagem só a nós e ele começou se alterar, foi quando nossa amiga branca voltou e começou a questionar também, de repente o segurança começou levantar a voz pra gente proferindo as seguintes palavras: “você sabe com quem está falando?”, nisso ele ligou para a polícia, xingou a gente, trancou as portas do estabelecimento para que a gente não saísse. A polícia chegou e eles explicaram sua versão, quando fomos falar, simplesmente, não deixaram, ficavam nos interrompendo o tempo inteiro. Nós temos provas de tudo que aconteceu, pedimos pra que eles mostrassem as câmeras pra polícia e eles se recusaram. O que mais me dói é saber que a polícia tava ali, vendo, entendendo e sabendo que aquilo era racismo e não fez nada, cheguei a comentar com um dos pm’s: “o senhor sabe qual é a cor das pessoas que vocês mais prendem, das pessoas que mais roubam, que mais traficam” e ele me respondeu com as seguintes palavras “eu sei que isso é racismo, mas não podemos fazer nada, vai pra casa”. Gente, eu via nos olhos daquele policial toda a dor que eu tava sentindo, era como se ele tivesse passando por aquilo, eu só sinto impotência, um lixo por ter que passar por isso. Infelizmente, nosso país é racista, machista e homofóbico e quando falamos sobre isso somos silenciados. To desabafando de coração: não sei o que fazer se não chorar. Até quando isso vai acontecer?

O supermercado publicou esta nota: 

Comments
  1. Junior

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