UM RESUMO DO ANO DE 2018

Por Joilson Bergher

De olho num futuro in-certo no qual o mercado permeia cada canto da vida, Marx escreveu no “Manifesto Comunista publicado em 1848”: “Tudo que é sólido se desmancha no ar”. Para alguém que vivia na Grã-Bretanha no início do período vitoriano – isto era uma observação incrivelmente perspicaz. Naquela época, nada parecia mais sólido que a sociedade às margens daquela em que Marx vivia. Um século e meio depois, nos encontramos no mundo que ele previu, onde a vida de todo mundo é experimental e provisória, e a ruína súbita pode ocorrer a qualquer momento. Assim tem sido a nossa experiência no mundo. Nesse particular o ano de 2019, caminha pra ser um ano de embates, de luta política e possibilidades. De fato, 2018, foi um ano medonho, desajustado, feio, turbulento…mas sobrevivemos. Aqui se escreveu, esclareceu ideias, gentes foram excluídas, incluídas. Ganhamos as ruas pelo LULA-livre e na defesa de Haddad/Manuela, Presidente e Vice do Brasil. Debatemos, dialogamos, nos retamos com os amigos, repactuamos com os amigos. Aqui rolou textos longos, pequenos, minúsculos, bom dia, boa noite, boa tarde. Nos saudamos, nos respeitamos. Muita foto e animações. Aqui nessa rede ficou clara, muito clara que as são as {relações sociais de produção} que determinam, por conseguinte, a divisão social do trabalho. Sendo assim, em dadas relações sociais de produção e consequente divisão social do trabalho, os homens determinam as formas de produção e distribuição dos produtos, dividindo-se em classes sociais historicamente antagônicas. Juntos lutamos contra essa pretensa hegemonia que destrói o (Ser), mas tbm nos reconstrói. Estamos tristes é verdade. Lula preso, significa que estamos presos ao lado desse companheiro que ajudou a tantos, elevou a auto estima desse lugar, fez-nos respeitar. Foi fantástico nos afetar pra mudar cenários. Mas essa época e de medo, medos -, “A emoção do medo pode rapidamente se transformar no sentimento de ódio. O ódio quer eliminar ou controlar o que considera a causa de sua infelicidade. Geralmente o objeto do ódio é o diferente, pois o diferente é temido e ao mesmo tempo muito valorizado. O ódio cega e mata, mas em sua irracionalidade estrutural o ódio pode também se servir de estratégias racionais para se realizar – vide os burocratas nazistas ou mais recentemente as tecnologias avançadas de produção de fake-news. A eleição de alguém do exército no Brasil é a prova dessa produção deletéria. Que fazer? Para nós há um “desprezo pela alteridade dos outros; nas suas versões mais sutis se transveste de inveja, que é a mistura de raiva com admiração, ou ainda de ressentimento, mistura de raiva pelos outros com a raiva de si mesmo”. Mas essa {rede} nos fortaleceu, nos fez grandes, como grandes foram as críticas ácidas aos vereadores, inclusive, aos que se reivindica de esquerda, mais ainda aos da direita. Críticas ácidas a esse que diz prefeito, perdido, atrasado, se sustentando em certa mídia, criando subterfúgios administrativos. Ou seja, na ausência de planejamento improvisa. Enquanto isso o tempo, implacável, se torna o seu principal inimigo, se aproximando de seu juízo final…político. Uma obra, obrinha, a da praça Victor Brito, que não tem data pra terminar ou tem? É a pura e a mais perfeita visão de um gestor sem rumo a contratar escritórios sabe-se lá de onde, nada produzindo por aqui. É muito claro, aliás, a cidade percebe: não se planejou pra gestar Vitória da Conquista: resultado, improviso administrativo, desatualizado, desplugado da cidade, transporte clandestino, terminal de ônibus aos pedaços, transito caótico, desprezo pelos servidores do município… Abstraio: e a UESB/IFBA/UFBA, e Faculdades diversas e seus técnicos e professores não serve para administrar essa cidade? Os governos do PT, na pratica atestaram que aqui há conhecimento para toda e qualquer área que se queira produzir. Mas o rapaz ora em exercício na prefeitura parece desconhecer o papel social e intelectual da UESB. Afinal, quando locutor de Rádio sempre afirmara que a UESB era o grande celeiro do conhecimento desse Estado da Bahia. E os que lhes deram apoios nessa Universidade? Será que foram convidados a compor o staff administrativo? Ou foram solenemente desprezados? Me parece o rapaz da prefeitura ter chegado ao seu final. A cidade já conta seus dias, pode apostar. Mas aqui também falamos de sentimento, do amor ao outro como possibilidade de mudanças. Pessoas morreram: Rafaella, Marielle, foram assassinadas – sinônimos de encantos na luta, ainda que, atuassem no entorno duma área de violência extrema, não tangirversaram da luta nem um segundo. Tentaram eliminar as vozes, as suas vozes, não conseguiram, nem conseguirão. A voz dessas meninas ecoou nessa rede, como tantas outras vozes atuando, aqui, e lá fora. Enfim, eu imagino essa rede ampliando a resistência, “capaz de agenciar outros afetos e promover seu contágio como, por exemplo, uma coragem de deixar o outro ser outro, um amor pelo diferente enquanto diferente, uma alegria que pudesse ser compartilhada não apenas por aqueles que se parecem comigo, mas também com os que são diversos de mim, enfim, uma ira criativa e afirmativa contra quem odeia e oprime os não-idênticos”. Ficaremos juntos, em riste em 2019, 2020, 2021…2030.

Joilson Bergher, Professor de História e Filosofia. Aluno Especial no Programa de Mestrado em Educação/UESB-Vitória da Conquista, Bahia.

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