Ao acompanhar o jornalismo no dia de hoje na Rádio Contas FM, com a participação do jornalista Zenilton Meira e do comunicador social Ricardo Brito, nos deparamos com um retrato bastante concreto da vida cotidiana em Jequié. Ali aparecem as dificuldades que a população sente na pele: os problemas do transporte coletivo, as filas e limitações na saúde pública, a falta de vagas em creches para crianças, as ruas com buracos e os desafios da infraestrutura urbana. É a cidade real, com suas demandas urgentes e suas contradições.
Entretanto, ontem ao ouvir a entrevista concedida pelo prefeito de Jequié em uma emissora de rádio de Vitória da Conquista, a sensação é de estar escutando sobre outra cidade. Na narrativa oficial, Jequié parece funcionar como uma engrenagem perfeita: transporte sem dificuldades, serviços públicos em pleno funcionamento, ruas em ordem e uma gestão que não encontra obstáculos significativos.
Esse contraste chama atenção. De um lado, a Jequié relatada por moradores, comunicadores e jornalistas que vivem o cotidiano da cidade. De outro, a Jequié apresentada pela gestão pública, onde quase tudo parece resolvido. Não se trata apenas de diferença de opinião, mas de uma distância evidente entre a experiência da população e o discurso institucional.
Quando duas narrativas tão distintas convivem sobre o mesmo lugar, surge inevitavelmente a pergunta: qual é, afinal, a verdadeira Jequié? Aquela que aparece nas falas oficiais ou aquela que ecoa nas ruas, nos bairros e nas vozes de quem enfrenta diariamente os problemas da cidade?
E como se não bastassem os desafios urbanos, um fato recente também reacende um debate antigo e urgente: a situação da BR-116. O acidente envolvendo um ônibus da empresa Rota Transportes voltou a expor os riscos de uma rodovia que, ao longo de décadas, tem sido cenário de inúmeras tragédias.
A BR-116 é uma das principais artérias rodoviárias do país, mas em muitos trechos permanece com estrutura insuficiente para o volume de veículos que recebe diariamente. Por isso, cresce a cobrança para que o Governo Federal do Brasil avance definitivamente no projeto de duplicação da rodovia. Não se trata apenas de obra de infraestrutura: trata-se de preservar vidas.
Enquanto a política discute narrativas sobre cidades perfeitas, a realidade continua cobrando soluções concretas — nas ruas de Jequié, nos serviços públicos e também nas estradas que ligam o país. Porque a realidade, ao contrário do discurso, não pode ser editada. Ela se impõe todos os dias diante dos olhos da população.
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_Joilson Bergher é cidadão de Jequié!_

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